Corpo de Rafael Henzel é enterrado em Chapecó

Foi em caminhão do Corpo de Bombeiros, utilizado muitas vezes para comemorar as conquistas da Chapecoense, que o caixão com o corpo de Rafael Henzel deixou o Centro de Eventos de Chapecó, rumo ao Cemitério Jardim do Éden. Lá já estavam esperando as torcedoras Diane Bordigon e Cissa Daniel com um cartaz: “Descanse em paz Rafael, há um time inteiro esperando por você. Nós ficaremos aqui com a saudade de todos vocês.”

Diane disse que ela e sua amiga sempre iam nos jogos e ouviam a narração de Rafael, pois ele colocava emoção no rádio.

— Ele vai fazer uma grande falta para Chapecó. Ele transmita com emoção, mesmo quando a gente estava desanimado ele conseguia animar de novo — conta.

O ex-diretor de futebol da Chapecoense, Grêmio e Athletico, Rui Costa, esteve presente no enterro. Entre as dezenas de coroas de flores, estavam as de Chapecoense e Criciúma, adversários na noite desta quarta-feira, mas solidários na dor.

Durante a celebração do enterro, cantos religiosos, uma homenagem da Polícia Militar (PM) e a lembrança de torcedores.

— Rafael sempre Chape — disse um torcedor.

A viúva Jussara Ersigo tentava apoiar a cabeça no ombro adolescente do filho, Otávio, 14 anos. Ele segurava a mão da mãe com uma das mãos e com a outra a abraçava.

Durante as homenagens a Henzel, ambos levaram uma das mãos até a boca. Jussara também apertou a mão do filho contra si. Depois apertou o próprio braço e os ergueu até o rosto. A dor parecia insuportável. Até que no final ela se ajoelhou, em frente ao túmulo do marido.

— Ele vai se juntar aos outros 71, vai ser o 72 — disse um familiar, lembrando as vítimas do acidente aéreo da Chape em novembro de 2016. Henzel foi um dos seis sobreviventes.

Agora sua imagem sobrevive nas narrações dos gols e na lembrança de muitos amigos, familiares e torcedores.